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SÃO LOURENÇO
TESTES ESTIS (Lc 24,48)
Testemunhas de Cristo

Reflexão

São Lourenço era diácono da Igreja de Roma. Era ministro do Sangue de Cristo e, pelo nome de Cristo, derramou o seu sangue. Retribuiu quanto tinha recebido. Amou Cristo na sua vida e imitou-o na sua morte.” Sto. Agostinho, Discursos, 304, 1-2).
Têm se poucas notícias seguras sobre S. Lourenço. Sabe-se que sofreu o Martírio durante a perseguição de Valeriano, quatro dias depois de Sisto II e dos seus quatro diáconos, coirmãos de São Lourenço. Sepultado no Agro Verano, ali foi construída, no tempo de Constantino, a basílica de S. Lourenço fora dos muros. A tradição diz que morreu sobre a grelha e assim é recordado na arte. A sua festa é celebrada desde o século IV. Ambrósio foi o primeiro a citar a paixão de Lourenço. Conta que Lourenço, encontrando Sisto II acorrentado, lhe suplicou que o levasse consigo ao martírio. Sisto, porém, ordenou-lhe que distribuísse aos pobres os bens da Igreja, bens que o diácono guardava para eles.  Quando Valeriano o prendeu, exigiu as riquezas da Igreja e Lourenço apresentou-lhe as filas inumeráveis de pobres e doentes da cidade. (Leão Magno, Homelie, 85, 2). As chamas preparadas por Valeriano não puderam vencer a chama da caridade cristã, porque o fogo que queimava por fora era mais fraco que aquele que o inflamava interiormente (Leão Magno, Homélias, 85, 4). O diácono São Lourenço, mártir, desafia todos a serem testemunhas de Cristo (Lc 24,48)

 

MENSAGEM ESPIRITUAL
AISI GRANUM FRUMENTI MORTUUM FUERIT (Jo 12,20)
Se o grão de trigo não morre

                Doar a vida é um ato que surpreende. O mártir inquieta a consciência. Testemunha uma experiência única: entrou no mistério de Cristo. O que viu e ouviu transformou-se na sua própria vida. Assim aconteceu com Lourenço, de quem Sto. Agostinho escreveu: “Era diácono da Igreja de Roma. Ali era ministro do sangue de Cristo e ali, pelo nome de Cristo, derramou o seu sangue. O Apóstolo João expôs claramente o mistério da ceia do Senhor, dizendo: “Como Cristo deu a sua vida por nós, assim também nós devemos dar a vida pelos irmãos” (1Jo 3, 16). Lourenço compreendeu tudo isto. Compreendeu e colocou em prática (...) Amou Cristo na sua vida e imitou-o na sua morte” (Discursos, 304, 1-4)
Mas existe uma verdade ainda mais profunda. O martírio é o horizonte da vida cristã, o sentido global das atitudes que marcam o caminho de qualquer um que encontre Jesus. Pode parecer inaceitável a contradição em que nos coloca o Evangelho. “Se o grão de trigo caído na terra não morre, permanece só, ao invés, se morre, produz muito fruto” (Jo 12,24). E também quem tem uma razão para morrer, manifesta a razão que tem para viver: o amor. A vida dada por amor é a maior provocação diante da indiferença. Seguir Jesus não é triste itinerário de uma vida sofredora, mas a descoberta da libertação e da alegria. O mártir testemunha que a última palavra é o amor como dom gratuito de si, e recorda-nos que crê é o ato constitutivo do próprio ser, é participação na vida de Deus Trino. “Cristo é tudo para nós, Se tiver necessidade de ajuda Ele é a força. Se temer a morte, Ele é a vida. Se desejar o céu, Ele é o caminho. Se foge das trevas, Ele é a luz. (Sto Ambrósio, A virgindade, 16). – Fonte: Peregrinos em Roma – Ed Paulinas Guia Artistico e Cultural

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